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Quando duas pessoas falam, a Comunicação vê-se!


Todos temos assuntos que nos apaixonam. Alguns apaixonam-nos mais, outros menos… e assuntos há que não nos apaixonam nada. E muita coisa pode acontecer à comunicação, como resultado da forma como reagimos a uns e a outros, quando interagimos com as outras pessoas.

Certamente, todos nós já participámos em conversas interessantíssimas - que desejámos prolongar ad aeternum - e outras em que preferiríamos ir entalar um dedo numa porta, na certeza de que a dor física seria bem mais suportável. Muitas vezes mantemo-nos como participantes em conversas muito pouco interessantes para nós porque queremos demonstrar respeito pelo nosso interlocutor, e por isso não fugimos a sete pés. Pelo menos não abertamente.

Acontece que o nosso inconsciente é muito bom a zelar por nós. Este zelo inclui, obviamente, a fuga da dor e/ou a procura do prazer. Uma interacção desinteressante ou desagradável pode ser percepcionada como "causadora de dor" ou como uma "agressão" pelo nosso sistema, pelo que normalmente começamos a enviar subtis - mas inequívocos - sinais não verbais de desinteresse, rejeição activa ou mesmo fuga. Enviamos constantemente estes sinais, ainda que por vezes os tentemos (em vão) omitir ou ocultar. O oposto também acontece sempre que estamos com interesse numa conversa ou pessoa. Como é óbvio, as pessoas que connosco se relacionam também funcionam da mesma maneira, e nós também podemos ser percepcionados como o "agressor". Como detectar estes sinais?

A prescrição de leituras e significados da linguagem não verbal nos seres humanos está longe de ser o objectivo deste texto. Estes estão muito bem documentados em vários livros, dos quais pessoalmente destaco "What every Body is saying", de Joe Navarro, "Linguagem Corporal", de Alan e Barbara Pease e "Emotions Revealed", de Paul Ekman. O que se pretende com este texto é trazer luz a esta questão e motivar os leitores para a procura de informação adicional sobre ela. Para que, posteriormente, comecem a prestar atenção àquilo que está a acontecer nas outras pessoas enquanto com elas interagem.

A grande parte das interacções humanas acontece pela via da comunicação directa, em conversa, o que faz com que esta questão se revista de particular importância. Os practitioners ou praticantes de PNL (Programação Neurolinguística), são desafiados a partir do pressuposto de que "O significado da Comunicação é o resultado que se obtém dela". Como praticante, parto desta premissa porque, para mim, faz todo o sentido. Neste contexto, sou levado a concluir que, quando numa interacção negligenciamos a parte não verbal da comunicação, estamos também a abdicar da correcta avaliação do interesse (ou desinteresse) que a outra pessoa possa estar a sentir. Assim sendo, estaremos também a desligar-nos do propósito da nossa comunicação, deixando ao acaso o seu resultado. Como corolário, podemos acabar a dar uma "seca monumental" ou a provocar desconforto a alguém numa das nossas conversas, e nem sequer nos apercebemos. Acredito que na maioria dos casos não será essa a nossa intenção. ;)

Quando estou intencionalmente numa interacção, para além da observação e escuta activa, normalmente vou-me colocando algumas perguntas de controlo:

• O que pretendo eu comunicar?

• Como o estou a fazer?

• Os detalhes que estou a introduzir servem a ideia que quero comunicar ou servem apenas o meu Ego?

• Se eu fosse ele(a), como me estaria a sentir agora?

• Estou a atingir o meu objectivo inicial?

Proponho-lhe um exercício de Calibração (*): escolha deliberadamente uma conversa que esteja a ter e observe atentamente o seu interlocutor. Repare nas expressões faciais, nos gestos, na posição do corpo. Veja como reage aos temas que vão sendo abordados. Repare nas diferenças. Se o(a) conhecer bem, aflore um assunto em que sabe que as vossas opiniões divergem e veja o que acontece imediatamente :). Sugiro-lhe também que se vá colocando perguntas de controlo (as propostas ou outras que sirvam o mesmo propósito). Por fim, extrapole as suas observações para um contexto "real" e tire as suas conclusões.

Se quiser ir mais além, comece a observar interacções entre outras pessoas, sem ouvir o que dizem. É bem capaz de ter uma surpresa! Divirta-se! :D

(*) Técnica de observação activa, muito trabalhada nas certificações de Practitioner em Programação Neuro-linguística da LifeTraining.

Pedro Martins,  auditor na area da responsabilidade social, hipnoterapeuta, master practitioner e facilitador de mudança

A virtuosa consistência: reflexão express

A consistência só é uma virtude se nos estiver a ajudar a atingir aquilo que queremos.

Muitas pessoas quando mudam de ideias em relação a uns sapatos ou roupa que compraram, assumem facilmente a sua mudança de opinião dirigindo-se à loja e devolvendo o artigo.
Nestes casos, não sentem que perderam consistência ou que "os outros" os irão julgar como sendo uns "vira-casacas".

Curiosamente, receando estes mesmos (auto?) julgamentos, as mesmas pessoas tendem a agarrar-se indefinidamente a decisões que tomaram - e de que depois se arrependem por se terem revelado "más" decisões e que resultam num impacto negativo nas suas vidas - assumindo que "para a frente é que é o caminho".

Se me enganar numa bifurcação na estrada, volto atrás e sigo o caminho que me levará ao destino que pretendo. Porque não fazê-lo com as minhas outras decisões?

Por vezes a melhor maneira de andar para a frente poderá ser... andar para trás!

Pedro Martins, auditor na area da responsabilidade social, hipnoterapeuta, master practitioner e facilitador de mudança

Histórias de Amor e Realidade

[História]
Duas pessoas conhecem-se, descobrem afinidades, apaixonam-se e eis que nasce uma nova entidade: "A Relação". A relação é uma coisa viva, com vontade própria e que, com o tempo, pode decidir "correr bem" (CB) e fazer parte deste triângulo a vida toda ou "correr mal" (CM), conforme a sua vontade, e extinguir-se passado algum tempo.

Porque é que diferentes relações têm diferentes personalidades? Aturados estudos científicos apontam no sentido de que, nos casos CM, os amantes possam ter habituado a relação a uma dieta à base de paixão. Acontece que muitas vezes, com o tempo, os amantes (ou apenas um deles) se esquecem da receita.


Em casos de amnésia mais aguda alguns amantes chegam mesmo a esquecer-se de que já tiveram a receita e de que com ela cozinharam lindos momentos de paixão. Nestes casos, quando a paixão falta, o cisne canta e esta relação faz como a Veronika, ou seja, decide morrer. Os amantes, que nada podem fazer porque esta decisão é fruto do fundamentalismo gastronómico da relação, acabam, impotentes, a verem-se transformados em ex-amantes.

Aparentemente, nos casos CB o denominador comum é também a dieta. Estas foram habituadas a uma alimentação mais variada, logo, ficaram mais flexíveis. Como sabemos, quem demonstra o comportamento mais flexível tem mais hipóteses de sobrevivência. Nestes casos, se os amantes (ou apenas um deles) se esquecerem da receita da paixão, a relação vai-se alimentando de amor, humor, cuidado, amizade profunda, cumplicidade, momentos de spooning e momentos em pantufas. Nestes casos a relação, ainda que sobrevivendo à carência de paixão, queixa-se e reivindica-a. No entanto, e porque é flexível, dá aos amantes tempo de recuperarem a antiga receita ou até procurarem receitas novas. Em qualquer dos casos, a relação é externa aos amantes, ainda que nela eles depositem todas as esperanças de uma vida feliz a dois (ou mais, se pensarem em ter filhos).

Uma coisa muito importante, e que não foi ainda mencionada, é que a receita da paixão é detida em 50% por cada um dos amantes. Se um se esquecer da sua parte, a parte do outro serve para muito pouco. É muito frequente acontecer que o amante que se esqueceu da sua parte da receita… se esqueça que se esqueceu. Nestes casos, se o outro amante se lembrar de que o outro está esquecido, e quiser realmente reconstruir a receita da paixão para alimentar a relação, a coisa mais inteligente a fazer será alertá-lo e envolvê-lo no processo de rememoração ou mesmo na criação de nova receita. Segundo os tais aturados estudos, a criação de nova receita tende a ser uma solução muito eficaz no longo prazo, porque dá aos amantes a certeza de que podem criar, recriar e alterar a receita ao longo das suas vidas, sabendo que a relação vai ter sempre alimento.

[Fim de história]
Como sabemos “a relação” como entidade autónoma é algo que não existe. Existem duas pessoas. Só isso. Apesar disto, ouvimos frequentemente coisas como “a minha relação não está bem”. Quando começamos a referir-nos linguisticamente a uma terceira entidade – a “relação”, neste caso – corremos o sério risco de nos começarmos a dissociar da real situação e, consequentemente da nossa responsabilidade nela.

Podemos até fazer um louvável esforço, tentando sozinhos salvá-la (à “relação”), sabendo que, se não conseguirmos, pelo menos fizemos tudo o que estava ao nosso alcance o que, no máximo, poderá acabar por ser apenas um pensamento reconfortante. Diz-se que “tentar” é falhar com honra. Neste caso em específico, podemos acabar com um coração honrosamente partido. Assim, tentar "arranjar" sozinho aquilo que dois "estragaram" poderá ser uma boa receita… para o fracasso.

Quando nos dizem “a minha relação não está bem”, uma pergunta interessante que poderíamos fazer seria: “Exactamente quem é que não está bem? Tu? A(o) tua(teu) amante? Nenhum dos dois?”. Seja qual for a resposta a esta pergunta, a pergunta seguinte poderia ser: “e o que é que VOCÊS vão fazer acerca disso?” Porquê “vocês”? Porque se, no passado, duas pessoas decidiram aproximar-se, apaixonar-se e amar-se, não será lógico dar aos dois a possibilidade e a responsabilidade de fazerem tudo ao seu alcance para que isso se materialize?

Se imaginarmos uma daquelas canoas em que cada pessoa tem um remo de um dos lados. O que acontece se uma se esquecer de remar? O que farias tu, se fosses a outra? Tentavas remar sozinho? Deixavas-te ir à deriva? Ou pedias ajuda?
Quer isto dizer que devemos fazer tudo e mais alguma coisa para continuarmos uma vida em comum com determinada pessoa, só porque a escolhemos no passado? Certamente que não. Apenas se “valer a pena”. Para os dois. As pessoas mudam, e as intenções podem mudar com elas.

O que poderá ser óbvio é que, se a intenção inicial de comunhão se mantiver, as possibilidades dela se cumprir serão infinitamente maiores se ambos os amantes estiverem envolvidos no processo de potenciação dos sentimentos que normalmente os unem, como o Amor Profundo, Cumplicidade, Amizade e, (claro!) a Paixão e Sensualidade.

Acredito também que haja alturas em que recorrer a um Coach ou conselheiro externo poderá ser a melhor opção... :)

Que este seja um bom momento para pensar a(s) sua(s) relação/relações, num qualquer dia dos namorados (que pode ser amanha, 15 de Fevereiro) ;)

Pedro Martins, hipnoterapeuta, master practitioner e facilitador de mudança

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