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O corpo como criador de flexibilidade mental


Bailarinas desenhadas em cavernas entendidas como milenares talvez seja um bom indicador que mexer o corpo é importante. Muitos autores dedicam-se ao estudo da ligação entre a linguagem corporal com linguagem do pensamento, isto é, à ligação entre o que fazemos com o corpo e aquilo que fazemos com o nosso cérebro.

Um dos mais acutilantes será, no meu ponto de vista, José Ângelo Gaiarsa, escritor do livro "Organização das Posições e Movimentos Corporais" onde de forma clara e detalhada demonstra aquilo que será o movimento estudado e o movimento natural.

Esta temática assume um interesse maior, quando sabemos de forma experienciada que o que fazemos com o nosso corpo nos permite um estado de espírito específico e mais ou menos potenciador ao resultado que pretendemos.

Tenho dedicado algum do meu tempo a estudar e a treinar formas de flexibilizar a linguagem corporal, ao mesmo tempo reconhecendo os diferentes estados emocionais a que acedo quando um ou outro movimento é realizado.
J. A. Gaiarsa, em algumas entrevistas, atribui mesmo muita responsabilidade à capacidade do indivíduo se mexer e como se mexe, pois ele cria uma analogia perfeita e densa entre a flexibilidade física e a flexibilidade mental, dizendo "A gente só consegue mexer com as ideias na cabeça da mesma forma e na mesma medida que a gente consegue mexer os objetos com as mãos. Quem nunca juntou nada não pode saber o que é juntar, quem nunca separou nada não pode saber o que é separar, então existe uma ligação profundíssima entre a versatilidade dos movimentos e a versatilidade da inteligência".

Quantos treinam diariamente o movimento no seu corpo? Quantos reconhecem os movimentos básicos? Talvez esta nova forma de olhar para uma das "ferramentas" mais poderosas de todo o sistema seja muito nova, até porque a maior parte de nós é preparado para estar quieto desde de muito cedo. Aprendemos a ficar parados e não mexer. Segundo o mesmo autor a proposta poderá ser bem diferente e com isso criar resultados, também eles bem diferentes "a criança tem que ser irrequieta pois está a aprender a trabalhar com a máquina neuro mecânica mais complexa do universo conhecido…".

Começar uma nova atitude perante o nosso corpo pode significar sair da nossa zona de conforto, do nosso lugar seguro e também, acredito eu, aumentar a nossa flexibilidade. Assim, poderá começar por mudanças pequenas, como a forma como se senta, sorrir mais num dia e lentamente começar a mexer mais o seu corpo, com exercício físico. Quem sabe começar a dançar todos os dias? Deixe os seus braços cair e chegar a lugares antes não existentes, leve a sua cabeça relaxada para além do que até agora imagina e deixe que as suas pernas se transformem em raízes de árvores, experienciando, quem sabe, certeza e força!

"Dance como quem dança quando ninguém vê..."

Lígia Ramos, empreendedora, criativa, formadora da LIFE Training e especialista em GRH

Como cuidar dos colaboradores (A propósito d’O guia das Novas profissões para 2012)

Algumas das profissões apresentadas como novidade no Guia das novas profissões da Michael Page foram: gestor de desenvolvimento de negócios internacionais, loyalty program manager e um reforço na Gestão de Recursos humanos: “Na área de recursos humanos, e sobretudo em grandes organizações, nascem novos responsáveis de pessoal em cada unidade de negócio, atentos às necessidades particulares de uma determinada área.”

Esta ressalva surpreendeu-me. A surpresa não advém da minha discordância e nem sequer pela noção que não é pertinente e sim, por pensar que de facto ainda existem muitas empresas que ainda não reconheceram que o cuidar dos seus colaboradores as faz de facto ganhar muito dinheiro.

Conheço algumas empresas que já medem o seu turnover através não só do número e também do seu custo. Custos relacionados com a saída, recrutamento, formação de novo colaborador e perdas de rentabilidade neste período de entrada de um novo colaborador. Arrisco a dizer que em mais de 90% das actividades o novo colaborador apenas atinge a sua rentabilidade máxima após 6 meses de trabalho e apenas se neste período de tempo obtiver formação intensiva, regular e monitorizada, pois caso contrário este tempo aumenta e muito (penso eu, baseada na minha experiência).

Assim, quanto poderá custar a uma empresa não cuidar dos seus colaboradores e uma vez mais chamo a atenção para a palavra cuidar. Pois, é muito diferente gerir e cuidar. A minha intenção é de facto que nos debrucemos nesta noção de auxiliar cada colaborador a desenvolver as suas competências pessoais e técnicas, assim como facilitar a execução das suas funções.


Será muito simples para qualquer pessoa que tenha à sua responsabilidade uma equipa perceber que cada colaborador tem a sua forma de precisar deste auxilio. Que cada dia é um dia diferente para cada colaborador. Portanto, preciso de fazer coisas diferentes e ajustadas ao momento com os colaboradores para que se mantenha intacta esta noção de cuidar. Pois é, equipas dão trabalho ...para dar lucro!

Assim, cuidar da sua equipa poderá passar por:
· Conheça cada colaborador por si. Fale com todos os colaboradores de forma formal e informal. Promova encontros formais onde pode perguntar sobre as funções, tarefas, prazos e promova encontros informais para poder conhecer os hobbies, as situações que inquietam o seu colaborador, os seus gostos. Queria genuinamente saber mais, e não apenas o que dizem sobre ele/a

· Conheça bem a sua empresa, os seus valores e a sua missão, assim poderá reconhecer onde o seu colaborador está mais integrado e onde pode precisar da sua ajuda para viver mais esta dinâmica.

· Confie em si e logo aprende a confiar nos outros, muitas vezes delegar é uma forma de animar os nossos colaboradores e para delegar terá que acreditar mais em si que nos seus colaboradores.

· Aceite que o que para um é um bom motivo para fazer mais, para outro é excelente para parar, fale com cada colaborador pensando mais nele que em si. Flexibilize o seu processo de comunicação e adapte-se.

· Permita que cada colaborador erre e garanta feedback, seja rigoroso e mesmo assim aceite que errar faz parte da aprendizagem. Garanta feedback genuíno e com a intenção pura de ajuda a desenvolver.

· Entregue feedforward, seja muito claro nos comportamentos que espera. Partilhe as suas expectativas sobre cada colaborador com esse mesmo colaborador.

Cada colaborador é um potencial, um possível talento para a sua empresa e apenas conseguirá fazer com que esse talento sirva a sua empresa, quando reconhecer qual é esse talento e onde ele será de facto uma mais-valia.

Lígia Ramos, empreendedora, criativa, formadora da LIFE Training e especialista em GRH

O talento que "eu" Sou

O meu percurso é igual ao de muitos de vós, estudei, estagiei, trabalhei para outros durante alguns anos, sou mãe, sou mulher.
Durante este meu percurso, muitas foram as vezes em que olhei para mim e via o mesmo de sempre. Algumas vezes aprendia coisas novas e, mesmo assim, a minha forma de agir era muito, mesmo muito similar. Parecia que fazia o mesmo apenas com um novo embrulho. Já tiveram esta sensação?


Aconteceu, agora reconheço, um momento em que deixei para trás “pré-conceitos”, “pré-ocupações”, ideia limitadoras e decidi fazer coisas diferentes, coisas a que chamei na altura de “A Busca pela minha arte”. Assim, a premissa era fazer coisas que me divertissem e ainda aprendesse com elas… Descobri rapidamente que aprendi e aprendo com todas as experiências que tenho.

Algumas das coisas que fiz e faço? Sim… fiz e ainda faço muitas! Experimentei e ainda amo o Surf, Aulas de canto, Costurar, Ballet, Parapente, Locução em Rádio, Teatro, Pintar, Restauro, Correr, Patins em linha… e tenho a certeza que ainda vou experimentar mais.

Talvez agora estivesse com saber suficiente para construir programa de gestão de talentos de forma diferente (eu sei que sim, seriam mesmo muito diferentes), pois agora sei que este encontro com o talento é pessoal, é intencional e tem que ser uma decisão de querer ver o mundo de um ângulo diferente. Muitas vezes está longe do que fazemos no nosso dia-a-dia, das tarefas que eu tenho como profissão e também reconheço que terá que existir treino, muito treino. Às vezes fazendo, experimentando coisas novas vamos aprender e reter novas formas de comportamento que sim, vai ser aplicado ao mundo de sempre. Quase como se o cérebro reconhecesse mais caminhos possíveis (sim é isso, reconheço mais possibilidades).

Partilho, rapidamente, algumas dessas aprendizagens. Com o Ballet aprendi a respeitar a liderança de quem sabe mais e faz melhor que eu, aprendi a ser ainda mais humilde (as minhas colegas têm todas menos 20 anos que eu e são muito melhores que eu!); No grupo de canto aprendi que não é interessante ouvir-se uma voz e sim a voz de todos em uníssono; Na Rádio reconheço as minhas muletas de linguagem e agradeço o ter que preparar textos; No Surf aprendi o equilíbrio o sentir o momento certo, a esperar. A minha lista poderia continuar e continuar e ainda continuar. Pois eu aprendi mais em 2 anos do que em 15 anos de vida.

Qual é a minha arte, ainda não sei… Sei é que eu sou mais, melhor e tenho em mim um mapa, um caminho que ainda posso fazer, ainda posso experimentar.
E o seu? Arrisco a dizer que está ainda muito por trilhar. Faça, Arrisque; Experimente e talvez sinta em algum momento o que eu sinto agora ao escrever este texto… EU SOU POSSIBILIDADE!

Lígia Ramos, empreendedora, criativa, formadora da LIFE Training e especialista em GRH

Gerir melhor o Tempo

24 horas é o tempo definido para que a Terra rode em torno de um eixo imaginário, dando uma volta completa sobre si mesma nesse período.

Algumas pessoas parecem ter a crença que não dará para fazer mais com um tempo tão limitado de …tempo, e que se encontrassem o génio da lâmpada agora, pediriam mais umas horas para ser possível fazer mais.

A esses eu digo: Que desperdício de Desejo… pois com alguma rapidez iriam detetar que mais horas não significam, melhor utilização das mesmas.

Encontro mesmo algumas pessoas que quantas mais horas têm disponíveis para decidir o que fazer com elas, menos produtivas se tornam.
Desta forma, talvez seja mais útil que, em vez que querer controlar algo que não está na nossa zona de controlo (pois ainda não conheci alguém capaz de abrandar a rota da terra a esse ponto!), encontrar a forma de melhorar a nossa relação com o tempo. Tudo volta aos relacionamentos :).
Aqui estão algumas dicas para quem quer começar 2012 a tornar o tempo num seu aliado:

Dica 1) O seu calendário, tem tantas marcações sobrepostas que provavelmente não vai cumprir?
Decida hoje alterar o seu calendário para intervalos de 10m em vez dos habituais 30m. E marque reuniões ou tarefas com o tempo real que necessita!

Dica 2) Acontece muitas vezes marcar coisas e depois não comparecer ou desmarcar?
Mantenha o seu calendário (agenda) actualizada, para que marque coisas em momentos em que tem real disponibilidade. Encontre a melhor forma para a sua agenda, para uns será o telemóvel, para outros o papel, para outros ou ainda um bloco…encontre a sua forma ideal!

Dica 3) Algumas vezes dá por si a não cumprir nenhum dos seus objetivos para o dia, pois teve de socorrer algum imprevisto?
Guarde pelo menos 20m diários sem compromissos no seu calendário para que caso tenha algum imprevisto os seus objetivos possam ser igualmente cumpridos no dia ou nos dias seguintes. Pois de outra forma cria o efeito bola de neve!

Dica 4) A pilha de papéis na sua secretária está sempre a crescer?
Conceda a si próprio o direito de gerir. Marque dias específicos para tratar de x assunto. E decida em que dia faz mais sentido fazer x tarefa, seja dono do seu trabalho!

Dica 5) Tem algumas vezes a sensação que não tem tempo para si?
O seu dia começa quando você decidir, escolha a sua hora de acordar e deitar (lembre-se que os ciclos de sono quando respeitados atribuem mais sensação de descanso (90m cada/média) e aproveite todos os momentos para estar consigo próprio, paragem nas filas de transito, a cabeleireira, a espera à porta da escola das crianças. Desligue o computador a TV e escolha ficar alguns momentos consigo próprio/a!

Após ter trabalhado mais de 9 anos a viajar sistematicamente, coordenando este facto com o cumprimento de prazos que dependiam de terceiros e ainda a minha vida familiar, aprendi que o tempo é o que eu faço dele! E mais importante: se eu tenho muito ou pouco é indiferente. O que interessa é o que eu faço com ele!

Aproveite este fecho de ano para pensar como se têm relacionado com o seu tempo e se algum resultado não corresponder, parece-me uma boa altura para mudar! E a si?

Lígia Ramos, empreendedora, criativa, formadora da LIFE Training e especialista em GRH

Terapia com resultados comprovados …Grátis!


Sabia que sorrir é um verbo conjugável? Eu sorrio, tu sorris, ele sorri, nós sorrimos, vós sorrides, eles sorriem! Sim, é verdade que este é um verbo aplicável a todas as pessoas. Então porque só algumas o praticam no seu dia-a-dia?

Durante o meu percurso de trabalho com algumas centenas de pessoas, fui ficando cada vez mais atenta ao que acontecia quando num grupo, ou numa reunião tínhamos mais pessoas sorridentes ou por um outro lado mais pessoas sisudas na sala. O fato é que parecia que as reuniões chegavam a ter resultados bem diferentes!

Afinal o que acontece quando rimos ou sorrimos?
O processo de sorrir deixou há muito de ser visto como um processo meramente social e passou a ser visto como um processo terapêutico. Pois está cada vez mais claro, através dos vários estudos realizados, que por exemplo: quando o ar é expelido em grande velocidade dos pulmões aquando de uma boa gargalhada, o corpo todo é oxigenado – inclusive o cérebro; Há uma redução da tensão muscular depois do riso, sendo que esta tensão é um dos principais fatores que contribui para as doenças ocupacionais, como a Dort (distúrbio osteomuscular) relacionado ao trabalho.

Fica desta forma, mais evidente o que poderá estar a acontecer. Parece que as pessoas que sorriem mais, fazem processos físicos e psíquicos diferentes daquelas que não sorriem. Logo, é mesmo muito provável que os resultados também sejam diferentes e em alguns casos, arrisco, mesmo muito diferentes.
Muitas vezes a questão está em encontrar motivos para sorrir!

Talvez possa ser interessante pensar no que normalmente o faz rir…Sim, esse mesmo, excelente! Agora veja o que acontece. Sorriu! Isso mesmo, a maior partes das vezes não é mesmo necessário ter um motivo. Só precisa ter a vontade de querer sorrir e vai encontrar na sua memória, na sua vida, dois momentos (pelo menos) em que riu muito e esses bastam para que agora faça o mesmo sorriso.

Sim, é talvez agora mais simples e fácil entender que quem escolhe rir e sorrir mais desenvolve um contexto grupal mais favorável à exposição de ideias, ao desenvolvimento de novas formas de fazer e mesmo para o tratamento de questões centrais nas organizações.
Este é o momento em que vai reconhecer, o que se vem tornando mais claro para mim. Ser feliz é uma escolha e não um estado emocional e sorrir um caminho mais para aumentar essa escolha individual.

Lígia Ramos, empreendedora, criativa, formadora da LIFE Training e especialista em GRH

O que funciona, nas empresas?


Muitas das empresas portuguesas e no mundo, estão neste momento a olhar para os seus scorecards e a definir estratégias para o último trimestre de 2011. Projectos e acções que se querem assertivas, pois a margem para erro pode não existir. Uma decisão que se revele pouco eficaz poderá colocar em causa todo um ano de trabalho e sabemos que podemos colocar em causa, também, os anos vindouros.

Assim, em reuniões e nos corredores de cada uma destas organizações as perguntas pairam: O que podemos fazer? O que funcionará? O que fará com que alcancemos os resultados propostos para o ano?
Parto da noção que a força e pertinência das perguntas é mais eficaz que de facto as respostas encontradas. Desta forma podemos promover perguntas melhores ...ou piores nas organizações.
Existe sempre a possibilidade de responsabilizar a conjuntura, a concorrência, os clientes, etc., e todas estas circunstâncias têm a probabilidade de lá estar até ao final do ano. Logo, fazer isto, colocar-se ao que chamamos em efeito não altera nada à nossa volta. Colocar-nos em causa é a melhor opção, e será por exemplo fazer melhores perguntas, tal como esta: "O que é que nós fizemos?"

A noção que cada organização é responsável pelos seus resultados, é uma noção que por vezes magoa e também é aquela que cria mais diferenciação e valor acrescentado à organização.
"O que fizemos para ter este resultado agora?"

Através desta pergunta poderá encontrar as mais variadas respostas. A menos interessante será "Tudo!". Com um pequeno trabalho de benchmarking, tenho a certeza que descobrirá outras empresas e organizações, a fazerem coisas que a sua empresa não pensou, não fez. Sim, pode ter sido uma opção e se continuar a procurar, poderá encontrar uma que seria mesmo ideal ter aplicado na sua! O facto de não o ter feito significa que o seu resultado é o fracasso? Não, se escolher fazer melhor agora.

O pressuposto exaltado pela programação neurolinguística ”Não existe fracasso, apenas feedback“ desenvolve a noção de desenvolvimento, de melhoria. Só será feedback se a informação do passado lhe servir para melhorar o seu futuro, caso contrário será sim uma falha no percurso.

Tem quase três meses para possibilitar à sua empresa obter os objectivos definidos. Assim, aproveite para desenvolver ou recuperar esta noção de melhoria, de feedback. Pergunte-se o que fez e o que não resultou como esperava e liste o que não esteve lá: o resultado final; falhas técnicas; recursos humanos; logística, etc. Nessa lista, provavelmente, está o que terá que acrescentar ou garantir que acontece nos projectos futuros para que cada mais os seus resultados estejam presentes e de forma recorrente.
Entregue à sua empresa a oportunidade de aprender e melhorar. Pratique o feedback!

Lígia Ramos, empreendedora, criativa, formadora da LIFE Training e especialista em GRH

Mestres na arte de viver

“Aquele que é mestre na arte de viver faz pouca distinção entre o seu trabalho e o seu tempo livre, entre a sua mente e o seu corpo, entre a sua educação e a sua recreação, entre o seu amor e a sua religião. Distingue uma coisa da outra com dificuldade. Almeja, simplesmente, a excelência em qualquer coisa que faça, deixando aos demais a tarefa de decidir se a trabalhar ou a divertir-se. Ele acredita que está sempre a fazer as duas coisas ao mesmo tempo”.
Domenico de Masi, em "O Ócio Criativo"

No conforto do meu sofá, aproveitando alguns dos dias intermitentemente cinzentos, (o que é bom porque queria escrever este artigo), a questão que me assolou em vários momentos das minhas férias foi: Será que as pessoas se divertem nas férias, neste período marcado em agenda, supostamente para tal? Ou será que algumas destas pessoas se divertem muito durante o ano, e este é apenas um momento para estar com a família e amigos, e claro dar continuidade à diversão?

Monica Aiub, filosofa Brasileira e especializada em Filosofia Clínica. Apresenta, através da sua experiência com milhares de pessoas, a noção que estão pelo menos dois "relógios" presentes no nosso dia-a-dia:
O Relógio Moral, que numa sociedade capitalista mede o tempo pelo que conseguimos produzir em cada momento, a noção de tempos e métodos, a medição da execução de tarefas para atingir a produtividade máxima. O trabalho para muitas pessoas é avaliado através da contagem de quantos relatórios escreve, quantos clientes atende ou visita, quantos € traz para a empresa.

O Relógio Interno controla o que fizemos ou não fizemos. Este “relógio” dá-nos internamente a sensação que devíamos ter tido determinado código de conduta. Por exemplo, aquela sensação de quem está de férias e, de repente, anseia voltar a ter coisas para se ocupar. Só que este “ocupar-se” deve dar a noção de utilidade e a diversão “ainda” não é útil enquanto sensação interna, segundo crenças socialmente aceites como correctas.

E, afinal, a diversão é útil em algum momento? Pois, talvez a questão seja mesmo essa: até que ponto a diversão é útil, produz resultados e até altera resultados? Ou o grande segredo está em controlar, contar, medir?

Cada vez mais são os autores que acreditam na diversão como escolha de estados emocionais potenciadores. Fisiologicamente, já um simples sorriso é altamente diferenciador para aqueles que buscam mais e melhores resultados.

Maci, sociólogo Italiano, defende o ócio criativo como forma de romper com a dissociação existente entre trabalho, lazer, conhecimento, realização. “É necessário aprender que o trabalho não é tudo na vida e que existem outros grandes valores: o estudo para produzir saber; a diversão para produzir alegria; o sexo para produzir prazer; a família para produzir solidariedade, etc.”

Desta forma, existem mesmo pessoas que dedicam os seus dias a fazer com que eles sejam equilibrados, sejam interessantes e além disso produzam resultados. Tudo isto alcançado através do treino do ócio criativo. Onde encontramos espaço para executar tarefas e para sentir emoções, vivenciando-as. Quando vivemos cada momento, sentindo com entusiasmo, a produção de qualquer coisa (até pode ser o relatório para o chefe) vai mais provavelmente ter um valor acrescentado. Porque assim facilmente surge uma nova ideia, um input diferenciador, original.

Assim, aproveite os períodos de vida para se divertir, para treinar o riso (rindo muito) para que os próximos meses sejam mais equilibrados e leve destas férias, além das boas recordações, uma grande aprendizagem… ser um ocioso criativo!

Lígia Ramos, empreendedora, criativa, formadora da LIFE Training e especialista em GRH

Génios na sua empresa


Imagine, por breves momentos, que recebe um telefonema do Albert Einstein a oferecer-se para trabalhar na sua empresa. O que lhe diz?


Alguns dos leitores acedem rapidamente a uma resposta: “Claro que sim”! Outras dizem: “Que interesse poderia ter um génio na sua empresa”? Existem, ainda, aqueles que gostariam de o conhecer e entender os motivos que poderiam ser tidos como relevantes para este invulgar interesse de fazer parte da sua empresa em particular.


Cada um destes pensamentos me parece, numa primeira análise, interessantes e me fazem, aceder a alguns padrões das empresas portuguesas.

Algumas organizações recusariam, pensando talvez que um génio olha muito pouco para rácios de produtividade. Outras organizações teriam que demarcar muito bem o campo de acção do génio para sentirem conforto com esta nova situação.

Finalmente, haveria empresas, as que da minha experiência enquanto observadora atingem maior sucesso, que avançariam para a gestão criativa enquanto componente essencial para o desenvolvimento da empresa.
Para esta reflexão recordo a teoria do escritor e filósofo Koestler.

Para este filósofo, a explosão criadora ocorre quando duas ou mais matrizes independentes interagem entre si – fenómeno denominado de bissociação, que consiste na conexão de níveis de experiência ou sistemas de referências. Uma nova ideia é assim construída na através da associação de diferentes campos não directamente relacionados com a área de partida. Esta teoria poderá ser chave para uma nova forma de olhar a Gestão de Recursos Humanos. O que poderia acontecer se a sua empresa tivesse em si pessoas que juntassem duas forças distintas, e as tornassem numa só? Que aliasse o saber à inovação, que aglomerasse lógica a sentimento, que criasse e seguisse novos caminhos “de fazer”, mais produtivos e estimulantes?

Eu já vi algumas empresas desejarem ser diferentes de todas as outras e a solicitarem aos seus colaboradores ideias/sugestões para ajudar a produzir melhores resultados. Esta parece-me uma excelente forma de sair da caixa. No entanto também não é anormal ver caixas acrílicas onde os colaboradores devem depositar as suas fantásticas ideias. Será que um génio consegue sempre colocar por escrito a sua ideia genial? É também, usual, algumas empresas segmentarem as suas ideias. Porém, e tendo em conta esta reflexão, será que o contabilista poderá dar uma boa ideia para a área comercial? Também não é anormal ver empresas pagarem dispendiosos estudos de mercado e mesmo assim desperdiçarem informação privilegiada dos seus colaboradores e também potenciais clientes.

Os génios são todos aqueles que conseguem olhar para as suas funções e responsabilidades com uma atitude crítica e de desenvolvimento pessoal e organizacional. Logo, imagine o que poderá fazer pela sua organização se permitir que os génios da sua organização criem novas formas de fazer, pensar, executar.

Lígia Ramos, empreendedora, criativa, formadora da LIFE Training e especialista em GRH

Artigo previamente publicado na plataforma online Dinheiro Vivo

Convidado no meu negócio

Hoje, mais do que nunca, o sucesso empresarial depende em muito das relações que conquistamos, desenvolvemos e mantemos com os nossos clientes. Parece-me o momento indicado para escrever sobre este conceito fantástico que descobri já há algum tempo: Convidado no meu negócio.

Várias empresas escolhem produzir produtos com máxima qualidade, outras dedicam muita da sua energia a mostrar que disponibilizam os items tecnologicamente mais avançados. Existem ainda empresas que se dedicam a procurar oferecer aos seus clientes o preço mais baixo. Todas estas (ou outras) escolhas me parecem interessantes e merecem, cada uma delas, o nosso reconhecimento. No entanto, vale a pena dedicar alguma da nossa atenção a uma questão: Será que estas escolhas, estas apostas, chegam ao nosso cliente da forma mais positiva, mais potenciadora?

Recorda dez momentos em que foi recebido de forma amável, em que se sentiu único e que sentiu que a sua presença era motivo de felicidade para quem tinha algum produto ou serviço para lhe oferecer? Pois, esta tarefa pode revelar-se mais desafiante do que ao princípio pode parecer…

É um facto que a maior parte das vezes eu sinto que existem produtos bons, preços agradáveis, boa qualidade. Então porque será que não os compro? Até já sabemos que 20% das pessoas vão comprar mesmo que o vendedor não imprima a este processo nenhum tipo de esforço, sabemos também que 20% das pessoas nunca comprará mesmo que seja realizado um processo completo de venda. Talvez a diferença do sucesso possa estar nos 60% das pessoas que vai comprar dependendo do tipo de atenção, cuidado que lhes é oferecido.

Vamos imaginar que a sua empresa garantia sempre essa atenção, esse cuidado. O mesmo que dedica ao amigo de sempre que convida para ir a sua casa. Alguém que lhe abre um sorriso ao abrir a porta. A quem oferece a sua atenção, disponibilizando o sofá e até um almoço dedicado e uma conversa agradável. Nessa conversa até descobre algo sobre o seu amigo que antes não sabia. Quando terminam o encontro, selam o momento com a expressão “Volta mais vezes, gostei mesmo da tua visita”.

Cada colaborador da sua empresa é a sua Comunicação, a sua Publicidade e o seu Relações Publicas. E o seu “Relações Públicas” pode ser cada um dos colaboradores.
A sua empresa, o seu negócio, pode ter muitas visitas. Para tal só precisa de gostar de receber, e mostrar isso mesmo aos seus convidados!

Lígia Ramos, Formadora, Practitioner PNL e Coach

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